sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Os monges e a mulher no Rio


Há um antigo conto budista que relata a seguinte situação:

Há quase dois milênios, na Índia antiga ou em algum monastério budista próximo ao atual território indiano, viviam dois monges que eram muito amigos e sempre cumpriam seus afazeres em conjunto.

É fato que monges não podem se aproximar de mulheres, nem ao menos, nelas tocar, pois esta é uma das maiores regras do código de conduta de um monge, o Vinaya.

Todos os dias os dois monges desciam a encosta onde se encontrava o monastério, tinham de cruzar um rio que atravessava a floresta para então esmolar mantimentos em um vilarejo. Contudo, certo dia, em uma dessas caminhadas até o vilarejo se depararam com uma mulher que estava com dificuldades para atravessar o rio. Vendo os dois homens a mulher pediu por ajuda.

Um dos monges disse:
– Não podemos ajudá-la, fizemos voto de que não poderíamos tocar em mulher alguma.

O outro monge replicou:
– Também fizemos voto de ajudar a todas as pessoas e criaturas deste mundo, sem haver distinção.

Então, este mesmo monge colocou a mulher em suas costas e atravessou o rio, deixando-a na outra margem.

Os dois monges seguiram caminho e durante a jornada houve uma grande pausa na conversação dos mesmos.

Logo, o silêncio foi interrompido pelo monge que era contra a idéia de carregar a jovem, que disse:
– Você não devia tê-la carregado, ela vai ser um peso para sua caminhada!

O outro monge, sabiamente respondeu:
– Eu deixei a mulher na outra margem do rio. No entanto, você é quem continua carregando a mulher na sua caminhada…

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