quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Seiganto-ji - O belíssimo "Templo das Ondas Azuis"


Seiganto-ji, o Templo das Ondas Azuis, é um templo budista da escola Tendai japonesa, localizado na rota de "Kumano", Província de Wakayama. Em 2004 foi listado como Patrimônio Mundial da UNESCO, juntamente com outras localidades sob o título "Lugares Sagrados e Rotas de Peregrinação na Cordilheira Kii". Segundo a lenda local, a fundação do santuário remonta ao reinado do Imperador Nintoku (313-399). Naquele tempo, Ragyō Shōnin, um monge budista indiano, seguia o rio que corta a região em busca de um lugar pacífico para praticar ascetismo e escolheu o sopé da montanha onde descem as belíssimas cachoeiras Nachi. Após praticar uma técnica de austeridade conhecida com shugyō, a Bodhisatva da Compaixão, Kannon se revelou para ele entre as águas da cachoeira. Sendo um sinal muito auspicioso, o monge decidiu então, em homenagem à divindade, erguer o eremitério e futuro templo.

Depois disso, durante o reinado da Imperatriz Suiko (592 - 628), Shōbutsu Shōnin veio aqui de Yamato para se submeter a práticas de austeridade. Naquela época, esculpiu uma imagem de 4 metros de altura de Kannon em uma única peça de árvore de camélia. O Hondō (templo principal) foi construído para abrigar esta imagem que se tornou o foco do culto de Nachi Kannon e é a imagem que está consagrada no atual Nyorindō (templo principal atualmente de pé).
Ragyō Shōnin

Em 988, o Imperador Kazan (968-1008) visitou a área de Kumano em sua primeira peregrinação e, após sentir-se profundamente emocionado com a imagem de Kannon, declarou este o primeiro Templo da peregrinação de Saigoku Kannon. Dizem que o imperador Kazan completou 1000 dias de treinamento espiritual severo sob a cachoeira, após obter uma visão de Kannon na forma do kami (espírito ou entidades sobrenaturais) Kumano Gongen. O kami instruiu o imperador a encontrar o sacerdote Butsugan de Hasedera (Oitavo templo da peregrinação), que ajudou o imperador a reestruturar a atual rota de peregrinação.

O imperador Kazan escreveu todos os poemas goeika que ainda são usados ​​durante a peregrinação na forma de hinos sagrados. Desde então, a rota de peregrinação tornou-se um costume entre os outros imperadores subsequentes que a utilizavam como fonte de inspiração na composição de seus próprios poemas em cada um dos locais sagrados.

Estátua de Kannon desenterrada na base da cachoeira
Como o imperador Gotoba (1180-1239; reinado 1183-1198) fez a peregrinação a Kumano 31 vezes e seu sucessor, o Imperador Go-Shirakawa (1127-1192) o fez 34 vezes, a peregrinação tornou-se tão popular durante esta época que se dizia que os peregrinos eram vistos andando aos montes como uma procissão de formigas!

Os edifícios do templo, como muitos dos templos na rota de peregrinação, foram queimados e destruídos por Oda Nobunaga durante as guerras civis do século XVI. O Nyorindō (Templo Principal) foi reconstruído em 1587 por Toyotomi Hideyoshi, o shogun que unificou o Japão após as guerras. É típico do estilo de arquitetura da Era Momoyama com um tipo de telhado chamado irimoya. O Nyorindō é atualmente listado como patrimônio cultural de importância nacional para os japoneses.

Quando o governo reintegrou o poder do Imperador durante a era de Meiji (1868-1912), instalando uma forte identidade nacionalista, tentou separar os santuários xintoístas dos templos budistas que por mais de um milênio compartilharam os mesmos locais. O budismo nesse período era mal visto pelo movimento nacionalista por se tratar de uma religião de origem estrangeira. Por isso, Seiganto-ji foi formalmente abolido, os sacerdotes despojados de sua autoridade e nenhum financiamento foi dado ao templo. Naquela época, Seiganto-ji tinha três templos principais, além de 37 edifícios residenciais e de treinamento. Mas tudo o que restou após a Restauração Meiji foi o Nyorindō e os aposentos do abade. No entanto, ao longo do século seguinte, foi reconstruído lentamente devido à sua importância simbólica para o movimento sincrético religioso e sua veneração da montanha sagrada Kumano-Nachi de Shugendō.

Em 1918, um montículo de sutras foi escavado na base da cachoeira e encontrou-se uma série de artefatos arqueológicos importantes, incluindo estátuas, espelhos, acessórios de altar e cilindros de sutras. Estes são agora exibidos no Ryuhoden ("Salão do Tesouro"), localizado ao lado do Pagode. Esses montículos de sutras foram criados por sacerdotes em tempos de guerra para esconder seus tesouros, mas também muitos itens foram enterrados dessa maneira como resultado da crença de que o fim do mundo chegaria no início do século X.

Em 2004, esta região - as peregrinações sagradas da região Kii - foi designada Património Mundial da UNESCO.






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