segunda-feira, 24 de julho de 2017

A Guarda Suíça Pontifícia - A Guarda do Papa


Custodes Helvetici, em latim e Guardie Svizzere, em italiano ou simplesmente Guarda Suíça, no português é o nome dado ao corpo militar privado responsável unicamente pela proteção do Papa. Criada desde 22 de Janeiro de 1506 a Guarda Suíça nasceu de um grupo de mercenários suíços que prestavam serviços militares ao Vaticano, mais especificamente ao Papa, mas que se consolidou como as Forças Armadas do governo papal. Tais mercenários serviram diversas potências europeias entre os séculos XV e XIX, mas atualmente servem unicamente à Igreja.

Porém, o que levou ao Papa a solicitar os serviços de um corpo de guardas-costas mercenários? Responderemos com um antigo e mórbido ditado italiano: “morto un papa se ne fa un altro” (em tradução livre: morto um papa, elege-se um outro). E esta frase carrega consigo a dura realidade do período em que a guarda suíça foi convocada. Eram muitas as causas da morte de um papa, e nem todas eram naturais, levando muitos a buscarem por proteção, afinal de contas, o trono do Vaticano era tão cobiçado quanto o de qualquer outro reinado.

Foi diante dessa incerteza que o Papa Júlio II (1503-1513) pediu ao rei católico da Suíça que lhe enviasse um grupo de soldados para a sua segurança pessoal. Foi considerado um dos papas mais firmes e que governava o território católico com dureza. Atendendo à solicitação de Júlio II, em 1506, o rei suíço enviou uma tropa de 150 soldados, escolhidos entres os melhores e comandados pelo Capitão Kaspar von Silenem, para o Vaticano onde foram abençoados pelo papa.



Todavia, a prova de fogo para essa pequena tropa de mercenários viria alguns anos mais tarde, mais precisamente em 06 de maio de 1527, quando o imperador Carlos V de Habsburgo, em guerra com Francisco I, invadiu Roma. Os invasores contavam com 18 mil homens e o Vaticano apenas 150 homens (algumas fontes apontam 189 soldados suíços). Durante a invasão os suíços lutaram bravamente contra mil homens das forças germânicas e espanhola em frente à Basílica de São Pedro e posteriormente na região de Altar-mor. No decorrer da batalha os guardas formaram um círculo em torno de Clemente VII, o então papa e o levaram em segurança pelo Passetto di Borgo, o corredor "secreto e fortificado" que liga o castelo à Piazza San Pietro ao Castelo de Santo Ângelo. Estima-se que 800 soldados imperiais morreram pelas alabardas suíças e dos 150 guardas papalinos, apenas 42 sobreviveram. Com o fim da batalha, o Vaticano recrutou mercenários espanhóis e 30 suíços desertaram, restando apenas 12 dos bravos sobreviventes.

Após esse feito histórico, a guarda suíça nunca mais deixou o Vaticano e novamente sendo empregada no lugar dos espanhóis. Outro feito importante dos suíços ocorreu em 1571, quando o papa Pio V enviou as tropas para a Batalha de Lepanto, contra o império Otomano. Nessa batalha, a Liga Santa, formada por exércitos católicos venceu as tropas otomanas em Lepanto, na Grécia, entrando para história como a batalha que pôs fim à expansão islâmica no mediterrâneo.

A guarda foi dissolvida em 1798, quando as tropas de Napoleão invadiram Roma e retiraram o Papa Pio VI do poder, só sendo restabelecida em 1801. Outro feito que marcou a história da Guarda Suíça, foi sua defesa do Palácio Apostólico, em 1848, após rebeliões de nacionalistas italianos.

Em 1929, o Vaticano se torna um Estado e passa a ter a guarda Suíça como seu exército oficial, o que, por sinal, foi uma excelente decisão, pois poucos anos mais tarde, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, desempenhou importante resistência às tropas nazistas. Durante o conflito o Vaticano chegou a empregar cerca de 300 soldados suíços para garantir a defesa do papa, do recém fundado Estado e até mesmo da população que se refugiou em seu território. Neste período, a guarda trocou suas clássicas alabardas e espadas, por fuzis Mauser 98k como medida de proteção, mas naquela época contava apenas com 60 soldados, o que não significava grande ameaça aos nazistas. Contudo, ambos os exércitos nunca entrarem em conflito, pois os alemães jamais passaram das fronteiras do Vaticano. 

Segundo o Wikipedia, hoje a Guarda Suíça conta com "cinco oficiais, 26 sargentos e cabos e 78 soldados. É a única guarda do mundo em que a bandeira é alterada com cada novo chefe de Estado, pois contém o emblema pessoal do Papa."

"O uniforme da Guarda Suíça atual foi desenhado por Jules Répond, então Capitão da Guarda. É de uma malha de cetim, nas cores azul-real, amarelo-ouro e vermelho-sangue. O capacete é ornado com uma pluma de cor vermelha e as luvas são brancas. É um uniforme elegante que simboliza a nobreza e o orgulho de servir ao Sumo Pontífice. No dia 06 de maio de 2006, o Papa Bento XVI, presidiu uma Missa Solene celebrando os 500 anos da Guarda Suíça Pontifícia. Em sua homilia afirmou: 'Entre as numerosas expressões da presença dos leigos na Igreja católica, encontra-se também a da Guarda Suíça Pontifícia, que é muito singular porque se trata de jovens que, motivados pelo amor a Cristo e à Igreja, se põem ao serviço do Sucessor de Pedro'."¹


Esses soldados são recrutados rigorosamente, e prestam um juramento levantando os três dedos da mão, símbolo da Santíssima Trindade, durante a cerimônia de juramento de defesa do Papa até a morte se for preciso. Para tornar-se um soldado desta Guarda Pontifícia há uma rígida seleção. É preciso ser católico, pois devem participar  todos  os dias das diversas celebrações litúrgicas no Vaticano. É necessário ter a cidadania suíça em honra aos 108 suíços que morreram na batalha de 1527. Somente são admitidos homens, com boa saúde física e psicológica. Os soldados devem ser solteiros, mas os oficiais, sargentos e cabos podem ser casados. Todos devem dormir no Vaticano. Os principais requisitos para se tornar um membro da Guarda Suíça hoje são:

- Ser católico: dado que a pessoa a ser protegida é ninguém menos que a autoridade máxima temporal da Igreja Católica Apostólica. Além disso, é dever do Guarda Suíço velar pelos peregrinos católicos, pela Cúria Romana e pelo próprio Túmulo do Príncipe dos Apóstolos. Por fim, ele deve participar cotidianamente das diversas celebrações litúrgicas no Vaticano. Nada mais justo, portanto, que professe a fé católica.
- Ter cidadania suíça: em honra aos 108 suíços que tombaram gloriosamente na batalha ocorrida em 1527, somente são admitidos homens dessa nacionalidade no corpo de segurança pontifício.
- Ter boa saúde: os candidatos passam por uma rigorosa bateria de exames físicos e psicológicos.
- Ser solteiro: exceção feita somente aos oficiais, sargentos e cabos. É proibido que durmam fora do Vaticano.
- Ter concluído o curso básico de preparação: ministrado pelo exército suíço. Além disso, devem obter um certificado de aptidão.
- Ter boa conduta: como a pessoa irá servir diretamente ao Papa, deve ter uma conduta irreprovável.
- Ter formação profissional: é desejável que o candidato tenha uma boa formação, além da vontade e eficiência. É esperado que ele demonstre capacidade de aprendizagem e um certo nível de maturidade.
- Idade: Para ser admitido, o candidato deve ter entre 19 e 30 anos de idade.²



Curiosidade:
O curioso uniforme da Guarda Suíça, com sua malha de cetim nas cores azul-real, amarelo-ouro e vermelho-sangue, causa estranheza entre os observadores, pois é incomum que um soldado esteja trajado com roupas tão coloridas. O design do traje é atribuído a Michelangelo e pode ser visto tanto no Vaticano quanto no castelo Papal de Avinhão, sede do papado nos séculos XIII a XIV.

Fontes:
POR QUE A GUARDA DO VATICANO É SUÍÇA? - Roma Pra Você
Católicos e com mais de 1,74 m: Guarda Suíça recebe 40 recrutas - DN PT


Notas:
1 - A História da Guarda Suíça do Papa - Cléofas

2 - A Guarda do Papa - Padre Paulo Ricardo Blog

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