domingo, 21 de agosto de 2016

Os Elfos Mitológicos - Introdução


Os elfos são criaturas fantásticas típicas da literatura medieval europeia e possuem versões variadíssimas entre as diversas mitologias do mundo medievo. Existem elfos pequenos, altos, magros, moradores das florestas, montanhas, etc., porém eles não ficaram restritos às mitologias “naturais” como a celta e a nórdica, mas também foram modificados por autores que os inseriram em seus mundos fantásticos, sendo o maior exemplo nosso bom e velho Tolkien.


Na mitologia de Tolkien os elfos lembram muito aqueles da mitologia escandinava e/ou nórdica. Nesse contexto os elfos eram chamados de Alfs ou Alfr, ou basicamente, de “elfos da luz” (Ljosalfr) e eram descritos como criaturas de grande beleza e corpos luminosos, além de deter poderes mágicos, ou seja, aludiam a seres “quase divinos”, semelhantes à imagem criada para as fadas e ninfas. A palavra “Sol” na língua nórdica era Alfrothul, isto é: o Raio Élfico; desta forma acreditava-se que os raios solares eram fatais aos elfos e anões.

Já na mitologia escandinava moderna os elfos são seres particularmente do sexo feminino e vivem em montes e montanhas rochosas. Na Suécia existem as Älvor (singular: Älva) descritas como donzelas (ou meninas) belíssimas que vivem sob o “comando” de um rei elfo. São loiras, de pele clara e fisionomia jovial. Embora atinjam idades avançadas em comparação aos humanos, jamais envelhecem. Apesar da beleza física, são seres vingativos e que se magoam facilmente, podendo trazer infortúnios àquele que os ofender. Geralmente são causadoras de doenças nos humanos. Para amenizar a fúria dessas elfas, pode-se realizar oferendas para as mesmas em um “moinho élfico”, adoram manteiga como oferenda.

Ängsälvor (1850), pintura de Nils Blommér
Tais elfas podem ser encontradas dançando nas florestas boreais, especialmente, durante a noite ou em manhãs nebulosas. Caso um humano perder algumas horas de seu tempo admirando a dança destas elfas, na verdade terão se passado anos no tempo real. Os locais onde essas danças ocorrem ficam marcados por círculos de grama amassada ou por círculos de cogumelos chamados de älvdanser (Danças Élficas) ou älvringar (Anéis Élficos). Esses resquícios élficos são extremamente perigosos, pois pisar neles ou destruí-los podem causar sérios problemas, principalmente, se alguém urinar neles, o que gera terríveis doenças venéreas.


Já na mitologia Alemã pós-cristianismo os elfos passaram a ser vistos como criaturas de tamanho diminuto, cerca de 50 centímetros e extremamente travessas, causadoras de pragas e doenças em plantações e rebanhos, além dos pesadelos que nos assolam durante o sono; a própria palavra alemã para pesadelo, Albtraum, significa “Sonho élfico”. Muitos acreditavam que os pesadelos eram causados quando um elfo sentava-se sobre o tórax do dorminhoco e seu peso causava tais sonhos. A forma rudimentar da palavra pesadelo, Albdruck, mostra isso claramente na sua tradução, que é “Peso (ou pressão) élfico”. Tal versão élfica seria uma verdadeira “mistura” entre os elfos nórdicos com a crença cristã que se difundia pela Europa pagã no período medieval. Alguns estudiosos fazem analogia aos íncubos e súcubos.

Círculo Cogumelar (Älvringar)
Na mitologia inglesa também existe uma versão dos elfos, que são chamados de elf, que vem do antigo inglês ælf (plural ælfe, com variantes como ylfe e ælfen). Inicialmente, referiam-se aos mesmos elfos da mitologia nórdica, mas também as ninfas dos mitos gregos que foram traduzidas por monges católicos romanos como ælf e suas variações. O termo também englobava algumas criaturas mágicas como as fadas da mitologia celta. Contudo, séculos mais tarde, nos últimos anos da Idade Média para a Moderna teve-se uma forte mudança na descrição dos elfos que passaram a assemelhar-se com aqueles da mitologia alemã. Além de tudo, é muito comum vermos os elfos das mitologias celta ligados aos demais seres fantásticos que habitam bosques e florestas como, por exemplo, fadas, duendes, gnomos, etc.

Termos como Elf-arrow ou elf-bolt foram muito utilizados na Escócia e na região norte da Inglaterra a partir do século XVI para designar dores agudas que certas enfermidades causavam, e estas eram atribuídas a pontas de flecha feitas de pedra lascada do período neolítico, que desde o século XVII eram conferidas aos elfos pelos escoceses. Desde então, tais flechas eram usadas por bruxas para trazer infortúnio e doenças às pessoas. Eis que surge mais uma vez a imagem do elfo travesso e endiabrado. Câimbras e paralisias musculares eram atribuídas aos golpes causados por elfos que atirava flechas em pessoas que passavam por perto de florestas e locais mágicos. Às vezes, são considerados invisíveis aos olhos humanos, sendo necessários mecanismos ou objetos mágicos para vê-los. A associação dos elfos com os arcos vem por volta do século XVI, em referência às pontas de flecha de pedra supracitadas. Desde então elfos portando um arco e flecha tornou-se algo extremamente corriqueiro em jogos de RPG e livros de literatura fantástica medieval.

Esta versão inglesa com elfos travessos, pode ser encontrada com certas modificações nas obras de J.K. Rowling autora da Saga Harry Potter, sendo destaque o famoso elfo doméstico Dobby, que apronta algumas travessuras com o protagonista; e nas Crônicas de Spiderwick, escritas por Holly Black.

Dobby , o famoso elfo doméstico da saga Harry Potter
Existe uma divisão clássica da raça élfica realizada pelos nórdicos, onde estes são basicamente de dois tipos: 1) os Ljosalfar (elfos da luz) e; 2) os Dopkalfar (elfos negros). Assim como Tolkien faria em sua mitologia os nórdicos separaram os elfos não só em características físicas, mas também em regiões e habitats. Os Dopkalfar habitavam em Svartalfheim. Os Ljosalfar viviam em Alfheim. As características dos elfos da luz são muito conhecidas pelos leitores modernos: elfos altos ou de tamanho semelhante ao dos humanos, detentores de uma beleza divina, fortes, guerreiros habilidosos, mestres nas artes mágicas e artesanais, morando em locais fantásticos fora de cogitação para os humanos e anões, exímios arqueiros, tinham sua própria linguagem e podiam gerar filhos “semi-élficos” quando se relacionavam com os humanos. Em contrapartida, os Dopkalfar assemelham-se mais com os anões e trolls: pele negra como a noite, fisionomia considerada feia pelos humanos e elfos da luz e quando expostos à radiação solar podiam ser petrificados.

Uma característica peculiar dos elfos, e que não poderia ser negligenciada, é o formato de suas orelhas. Em quase todas as descrições, os elfos são apresentados como seres de orelhas compridas e pontudas, semelhantes a folhas ou pontas de lança. Tal característica é tão relevante que aparece tanto nos elfos nórdicos e suas raças, quanto nos pequenos elfos endiabrados da cultura inglesa e alemã. Não existe um consenso entre os mitólogos quanto a variações de tamanho e formato da orelha élfica.

Elfo Negro (Dopkalfar)
Enfim, muito do que se tem hoje sobre a raça dos elfos é basicamente influência da mitologia de Tolkien que os colocou em sua forma atual, apesar de sabermos que os elfos já estavam estabelecidos na literatura e cultura popular há muito tempo e de maneiras completamente distintas. Essa postagem é apenas uma síntese das infinitas informações que existem sobre tais criaturas.

Referências:
FRANCHINI, A.S. As Melhores Histórias da Mitologia Celta. Ed. Artes e Ofício. Porto Alegre, 2011.
BONI, Daniel de. Os elfos deTolkien Vr. elfos Mitológicos. 07 Maio 2008.
Rolando Dado – Fabio Rezende – Raças de Personagens: Elfos

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