quinta-feira, 28 de julho de 2016

Buddhapada - A Pegadas do Buddha


“Pegadas do Buddha” (Buddhapada em pali) é uma das representações mais antigas da arte e da simbologia budista na fase anti-iconográfica (a ausência de estátuas). O Buddhapada é altamente reverenciado em países budistas, especialmente no Sri Lanka e na Tailândia (Países onde se encontra a tradição Theravada). Na Índia, os pés têm sido objeto de respeito muito antes do Budismo, como arquétipo de ligação do “transcendente” à Terra.

De acordo com a lenda, o Buddha depois da sua iluminação, deixou a impressão dos seus pés numa pedra onde costumava caminhar em Kusinara, Índia. As pegadas simbolizam a presença do Buddha, no contacto com a Terra e, paradoxalmente, também a ausência do Buddha, aquando da sua entrada no Nirvāna, daí a memória ao ideal budista do desapego.


As pegadas do Buddha (podendo ser ambos os pés ou apenas um) são normalmente esculpidas em placas de pedras, monólitos ou colunas, sendo representadas com todos os dedos dos pés no mesmo comprimento e com um Dharma-chakra (Roda do Dharma) ao centro. Outros símbolos budistas antigos aparecem também nos calcanhares e dedos, tais como a flor de Lótus, a Swastika (Suástica) e as Triratna (Três Jóias). Além destes símbolos, podem ter também os 32, 108 ou 132 sinais auspiciosos do Buddha, gravados ou pintados na sola.

Resgatando o verdadeiro significado ancestral da cruz swastika, além ou aquém das atrocidades cometidas com a sua imagem pelos nazis, a palavra deriva do Sânscrito svastika (em Devanagari स्वस्स्िक), significando fortuna e bem-estar, uma marca utilizada para dar boa sorte. A palavra é composta por su -significando “bom”, “bem” e asti “ser” svasti significando “bem-estar”. O sufixo - ka ora forma um diminutivo ora intensifica o significado verbal, e svastika pode então traduzir-se literalmente como “aquilo que está associado com bem-estar”, correspondendo a “boa fortuna” ou “algo auspicioso”. 

Historicamente, a swastika tornou-se um símbolo sagrado no Hinduísmo, Jainismo, Mitraísmo e Xamanismo e ganhou importância no Budismo durante o Império Máuria. Com a propagação do Budismo, a swastika alcançou o Tibete e a China. Pensa-se que o seu uso pela fé indígena do Tibete, bem como de religiões sincréticas como da Cao Dai do Vietnam e da Falun Gong da China, também se originou do Budismo. O símbolo pode também ser encontrado por toda a Coreia. 

Hoje em dia, o símbolo é usado na arte e nas escrituras budistas e representa o Dharma, a harmonia universal, e o equilíbrio dos opostos. Pode observar-se a swastika nos pilares de Ashoka (304 A.C.), onde a swastika simboliza a dança cósmica em torno de um centro fixo, funcionando como proteção contra o mal.


Voltando às pegadas, elas surgiram em uma fase transicional entre um período onde a arte budista era anti-icônica, isto é, não possuía uma preocupação em representar o Buddha através de imagens, mas sim através de símbolos e um período em que surgiram suas primeiras estátuas humanas.

As Buddhapada abundam em toda a Ásia e datam de vários períodos. O autor japonês Motoji Niwa, que passou anos rastreando as pegadas em muitos países asiáticos, estima que encontrou mais de 3.000 pegadas, entre elas cerca de 300 no Japão e mais de 1.000 no Sri Lanka .

Segundo uma lenda budista, durante sua vida, o Buddha voou para o Sri Lanka e lá deixou sua pegada em Sri Padaya para indicar a importância do Sri Lanka como perpetuador de seus ensinamentos e também deixou pegadas em todas as terras onde seus ensinamentos seriam reconhecidos. Na Tailândia, a mais importante dessas pegadas "naturais" embutidas na rocha está em Phra Phutthabat, na Tailândia Central. Na China, durante a Dinastia Tang , a descoberta de uma grande pegada do Buddha em Chengzhou fez com que a Imperatriz Wu Zetian inaugurasse um novo nome ao reinado no ano 701 d.C., começando a era Dazu (Big Foot - Grande Pé).

Monge reverenciando pegada em SriPada, Sri Lanka
A pegada como objeto escultural tem uma longa história decorrente dos primeiros exemplos feitos na Índia. Estes foram feitos durante a fase anterior à influência grega na arte budista em Sanchi , Bharhut e outros lugares na Índia. Mais tarde, a tradição da pegada tornou-se proeminente no Sri Lanka, no Camboja, na Birmânia e na Tailândia.

Adaptado de: A PALAVRA DO BUDDHA: Uma Síntese do Ensinamento do Buddha baseada no Cânone Pāli - Compilado, traduzido e comentado por NYANATILOKA

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