quinta-feira, 14 de abril de 2016

O Exótico Elmo da Libélula


Durante os turbulentos séculos XV e XVI, os senhores feudais do Japão lutaram para garantir seus domínios sobre clãs rivais. Eles dispunham de numerosos exércitos cuja eficácia em guerra dependia basicamente do tipo de armamento e indumentária utilizados. A criação de elmos, capacetes e armaduras diversificou-se, embora houvesse uma preferência por itens mais simples. Elmos que utilizassem menos placas de ferro passaram a substituir o suji-bachi, elmo reforçado com várias placas muito utilizado outrora. Além disso, a importação e imitação das armas de fogo européias levou ao desenvolvimento de elmos com superfície lisa e resistentes, para que as balas arredondadas de mosquete pudessem desviar facilmente. Ademais, os senhores de alto escalão começaram a enfeitar e embelezar seus elmos com formas esculturais, para que pudessem ser facilmente reconhecidos em batalha, não correndo o risco de serem alvejados por tropas aliadas. Elmos exóticos surgiram e traziam consigo símbolos que refletissem a personalidade de seus senhores.

O Instituto de Artes de Minnealópolis (MIA) foi presenteado recentemente com um exímio exemplo da arte exótica empregada nos elmos japoneses: o Elmo da Libélula. Os artesões responsáveis pelo artefato, cobriram um elmo de ferro comum com papel mace sobre uma estrutura de madeira utilizada para formar o corpo do inseto. Na imagem, podem-se ver as asas, também de madeira, erguidas nas laterais da peça, enquanto os olhos do inseto foram processados como grandes esferas douradas. No Japão, a libélula simboliza esforço focado e vigilância, devido ao seu modo de voar, movendo-se para cima, para baixo e para os lados, mas sempre com o olhar fixo para frente. Os textos antigos referem-se ao Japão como Akitsushima (Ilha das Libélulas), por causa de sua abundância. Elas foram idealizadas como espíritos do arroz, por serem constantemente vistos pairando sobre os campos irrigados de arroz.

Todavia, não foi somente o Japão quem desenvolveu armaduras e elmos exóticos, no link abaixo você pode conferir uma peça europeia do mesmo período supracitado, The Armet, o elmo com chifres.

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