segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Ta hepta Thaemata - As Sete Maravilhas do Mundo Antigo


Todos nós já ouvimos falar, ao menos uma vez, das famosas Sete Maravilhas do Mundo Antigo, ou pelo menos das mais conhecidas, como as Pirâmides de Gizé ou dos Jardins Suspensos da Babilônia. Mas, afinal de contas, qual a origem dessa lista que escolheu apenas sete monumentos dentre tanto outros? E por que seis deles não existem mais? De maneira geral, todos essas obras arquitetônicas estão relacionadas aos antigos povos do "velho mundo", isto é, dos povos que viviam ao norte da África, Europa mediterrânica e no Oriente Médio. Ademais, possuem características semelhantes entre si, especialmente no que diz respeito à época em que foram construídas, entre 2550 a.C. e 280 a.C., à magnitude das estruturas, que em sua maioria possuíam centenas de metros de altura e/ou comprimento e ainda por suas decorações feitas em metais raros, pedras preciosas, marfim ou madeiras nobres.

A origem da lista ainda é um mistério, muito embora seja creditada ao poeta grego Antipatro de Sídon, que as descreveu em breve um poema. Contudo, esta lista aparece novamente em outros dois documentos de grande importância histórica, a saber: "Histórias" (Historiai) de Heródoto de Halicarnasso e De septem orbis miraculis, escrita pelo engenheiro grego Philo de Bizâncio. A lista também era intitulada de "Sete Coisas Dignas de serem Vistas" (Ta hepta Thaemata) ou ainda THEMALA (coisas a serem vistas).

Tradicionalmente, são listadas na seguinte ordem:

Great Lighthouse of Alexandria
7) Farol de Alexandria - Egito
Uma colossal torre octogonal se erguia sobre o solo da ilha de Faros, no litoral de Alexandria, no Egito. Construída em mármore a mando de Ptolomeu I, a estrutura servia como farol aos navegadores que cruzavam as águas da cidade que foi o maior centro intelectual do mundo. O monumento dispunha de mecanismos que marcavam a passagem do Sol, as horas e a direção dos ventos, sendo uma obra do arquiteto grego Sóstrato de Cnido. Além de uma enorme chama que aliada a um jogo de espelhos dispostos ao seu redor emitia um clarão capaz de ser visto a 50 km de distância, auxiliando os navegantes. Especula-se que tenha sido construído entre os anos de 280 a.C. e 247 a.C.

Gravura representando o farol por Fischer von Erlach (1656-1723)
Quanto à sua altura, não existe um consenso entre os estudiosos, que lhe atribuem entre 115 e 150 metros a partir do solo. Por mais de cinco séculos foi considerada uma das maiores estruturas já construídas pelo homem, porém acredita-se que tenha sido destruído por um terremoto no ano de 1375. Suas ruínas permaneceram expostas até 1480, quando seus blocos de pedra foram reutilizadas na construção da fortaleza de Qaitbay, no Egito.

Fortaleza de Qaitbay
No início deste ano, o Comitê Permanente do Egito para Antiguidades prometeu reconstruir o monumento, "depois de uma reunião no fim de maio que aprovou os planos de reconstrução. “Os membros aprovaram um projeto antigo submetido previamente pelo governo de Alexandria, que visa reviver o farol”, declarou Mostafa Amin, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, ao jornal egípcio The Cairo Post. Agora, falta somente o aval das autoridades locais para o projeto sair do papel e as obras começarem, na mesma ilha de Faros onde a estrutura um dia esteve – o termo “farol”, inclusive, deriva do nome do lugar"*.



6) Colosso de Rodes - Grécia
Como o próprio nome sugere, o Colosso de Rodes era uma estátua colossal do deus Apolo, erguida na entrada da ilha grega de Rodes. Sua construção foi finalizada em torno do ano 280 a.C. e atingia os 30 metros de altura. Feita exclusivamente de bronze, material este , que segundo a lenda, foi retirado das armas e armaduras dos inimigos que tentavam chegar à cidade.

Ilustração do século XVI por Martin Heemskerck
Diz-se que suas pernas ficavam apoiadas em duas colunas entre os rochedos que cercavam a ilha, conferindo aos navegadores que adentravam o porto uma incrível visão, pois era impossível chegar até o mesmo sem passar por baixo das pernas do monumento.


A majestosa estátua, entretanto, não ficou de pé por muito tempo, segundo Estrabão, ela resistiu míseros 54 anos, quando foi a região foi atingida por um forte terremoto, derrubando-a. Mesmo destruída, a estátua ainda era considerada vislumbrante, sendo suas ruínas uma grande atração turística. Contudo, Teofânio, um historiador do século VI, conta que seus resto foram removidos ao longo dos anos e vendidos para comerciantes, especialmente os árabes, que derretiam as enormes peças de bronze para fabricar utensílios.




5) Mausoléu de Halicarnasso - Turquia
Na quinta posição, temos o lúgubre Mausoléu construído por Artemísia II, irmã e esposa de Mausolo, governador da região de Halicarnasso, província do primeiro império persa ou Império Aquemênida.

Trata-se de uma estrutura de 45 metros erguida sobre os restos mortais do governador e finalizada por volta do ano de 351 a.C.. Nela haviam diversas estátuas ornamentais de soldados, centauros, leões e deuses. A matéria prima utilizada em sua construção foi essencialmente o mármore, o que conferia enorme elegância ao monumento.

Mausoléu de Halicarnasso por Maarten Van Heemskerck
Artemísia também foi lá sepultada, ao lado de seu marido, onde seus restos mortais permaneceram por séculos. No entanto, sucessivos ataques de exércitos e tribos inimigas foram danificando a estrutura, além disso, terremotos de data incerta terminaram de abalar suas fundações, destruindo o local de uma vez por todas.

No século XVI, diante das notícias de invasão dos turcos em outras cidades próximas, a população local, juntamente com os Cavaleiros de Malta, decidiram utilizar as pedras das ruínas para fortalecer as muralhas e o castelo medieval da cidade que foi renomeada de Bodrum.


A fama e o curioso formato da obra ganharam o mundo e até hoje o nome "Mausoléu" é utilizado para sepulturas requintadas. Ademais, a estrutura influenciou outras obras em todo o mundo moderno, sendo um grande exemplo o memorial "Santuário da Lembrança", na Austrália, erguido em homenagem aos soldados mortos da Primeira Guerra Mundial.



4) Estátua de Zeus - Grécia
A estátua que homenageava o maior deus do panteão grego, sentado em seu trono no Monte Olimpo, era feita por nada mais, nada menos que ouro e marfim, além de ser decoradas por vários tipos de pedras preciosas. Algumas versões dizem que também possui ébano entre os materiais utilizados em construção.


O monumento de 13 metros de altura teria sido erguido, segundo historiadores e relatos da época, na cidade de Olímpia e se localizava no interior de um templo, também erguido em homenagem a Zeus.

Construída no século V a.C., a estátua "sobreviveu" por cerca de 800 anos, até ser levada para Constantinopla, onde foi derretida e transformada em diversos objetos. Outras fontes dizem que foi destruída por um terremoto e posteriormente seus fragmentos derretidos.

Templo de Zeus em Atenas
A localidade onde a obra foi inicialmente colocada, atualmente, é um importante sítio arqueológico aberto ao público e guarda ruínas e artefatos da cultura grega. Muitas pessoas confundem o templo de Zeus em Atenas com aquele que havia em Olímpia, creditando a estátua a esse primeiro que, inclusive, permanece de pé até hoje.



3) Templo de Ártemis - Turquia
Localizado nas terras de Éfeso, na atual Turquia, o grandioso templo era dedicado à Deusa virgem da caça e protetora dos animais, Ártemis. Sua construção foi iniciada no ano de 550 a.C., sob as mãos de dois grandes arquitetos cretenses, Quersifrão e Metagenes.


Com seus quase 130 metros de altura e 69 metros de largura, o templo atraiu turistas e devotos de toda a região mediterrânea e até mesmo de outras culturas. Foi destruído e reconstruído várias vezes, até que em 21 de Julho de 356 d.C. foi incendiado por Heróstrato e desde então, com o crescimento das religiões monoteístas, em especial, a cristã, jamais foi reconstruído. Com o esquecimento, sua total destruição se deu em 401 d.C., restando nos dias de hoje algumas poucas ruínas e uma coluna que continua de pé.

Ruínas do Templo e a última coluna remanescente
Apesar do seu triste fim, o Templo de Ártemis, é atualmente um grande atrativo turístico na região e além disso, um dos mais importantes sítios arqueológicos da Turquia e até mesmo do mundo.



2) Jardins Suspensos da Babilônia - Iraque
Em segundo lugar, na lista das sete maravilhas antigas, estão os Jardins Suspensos da Babilônia, obra arquitetônica construída aproximadamente no ano de 605 a.C., sob o comando do lendário rei babilônico, Nabucodonosor II. Embora pouco se saiba se tais jardins realmente existiram, acredita-se que tenha sido construído pelo rei como um presente à sua esposa Amitis, que era originária do atual Azerbaidjão, sendo lá a edificação da obra.


Nabucodonosor II não poupou despesas para impressionar sua mulher, o edifício, com vários terraços repletos de flores e belas plantas, possuía cerca de 97 metros de altura. Além disso, possuía um sofisticado sistema de irrigação mantido por mão de obra escrava. Sua localização exata, não pode ser estipulada, haja vista o pouco tempo que permaneceu de pé. Especula-se que tenha sido destruído três séculos após a sua construção.

Aqueles que acreditam que os jardins realmente existiram, apontam para escritos de Diodoro da Sicília, Filo de Alexandria e o de Estrabão, que os citam em suas obras. Contudo, o historiador Heródoto, mesmo tendo visitado a Babilônia, não os menciona em seus textos, o que contribui para que alguns descordem da real existência dos jardins.

Gwendolen Cates/Gil Stein (Fonte: http://zip.net/bhqXN2)
Segundo as fontes consultadas, acredita-se que suas ruínas se encontram atualmente na cidade de Al Hillah, no Iraque, como demonstra a foto acima. Contudo, tal questão me causou estranhamento, haja vista que afirmam que eles talvez tenham sido construído na cidade natal de Amitis, isto é, no atual Azerbaidjão. Caso algum leitor tenha uma informação que ajude a solucionar essa lacuna, entre me contato.



1) Pirâmides de Gizé - Egito
E em primeiríssimo lugar, a tríade de pirâmides egípcias mais famosa de todo o globo: as Pirâmides de Gizé, os únicos monumentos da lista que resistiram ao tempo, mesmo sendo mais antigas que todos os outros.

Dentre as três, destaca-se a grande pirâmide, construída por volta de 2550 a.C. para abrigar o corpo do faraó, Quéops, da quarta dinastia egípcia. Durante muito tempo, os estudiosos do antigo Egito acreditavam que a grande pirâmide tenha empregado entre 30 e 100 mil homens durante 20 anos até a finalização da obra, levando-os a crer que a mão de obra tenha sido essencialmente escrava. Todavia, estudos recentes apontam que boa parte, ou até mesmo, a maioria dos trabalhadores que ergueram os pesados blocos de pedra eram homens livres, assalariados e com detentores de direitos civis.


A área da pirâmide de Quéops equivale a seis campos de futebol, além de possuir cerca de 6 milhões de toneladas em pedra e seus imponentes 147 metros de altura. Ao seu lado, encontram-se outras duas pirâmides menores, as pirâmides de Quéfren e Miquerinos, respectivos filho e neto de Quéops.

Autor: Áviner Reis, Taberna Do Fauno

Referenciais:
SIMIELLI, M.E. Geoatlas. Ed. Ática, 2010, São Paulo.

3 comentários:

  1. Parabéns pela postagem. Muitíssimo interessante! Legal conhecer um pouco mais sobre as curiosidades históricas,

    ResponderExcluir
  2. Parabéns pela postagem ... Realmente incrível ! Com tantas maravilhas assim feitas antigamente fica difícil acreditar que estamos sozinhos, se é que me entende hahah.

    ResponderExcluir
  3. Apenas uma correção: a última maravilha não são as três pirâmides! Apenas a maior, Quéops, era considerada uma das 7 maravilhas do mundo antigo, as outras não contam. Abs

    ResponderExcluir