quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Formação histórica da Língua Inglesa


O idioma inglês, como é de nosso conhecimento, tornou-se nos últimos dois séculos a linguagem mundial, a expansão do modo de produção capitalista remetente ao pioneirismo industrial e à hegemonia econômica dos países anglo-saxônicos, como Inglaterra (século XVIII e XIX) e EUA (século XX e início do XXI), foi indubitavelmente seu propulsor. A hegemonia destas nações fez com que os demais países se adaptassem aos seus padrões, sendo necessária cada vez mais a utilização do inglês como idioma internacional.

O modo como tal língua se consolidou em todo o mundo não será abordado aqui, pois abarca tempos modernos e contemporâneos, não sendo estes, temas de estudo da Taberna Do Fauno, haja vista nosso enfoque em Antiguidade e Idade Média. Com base nisso, abordaremos aqui o processo histórico que deu origem ao atual idioma inglês, mostrando de forma resumida os eventos e fatores que influenciaram em sua formação.


Neste aspecto, a primeira afirmação que pode ser feita a respeito do inglês é que sua formação remonta ao processos migratórios, invasivos e colonizatórios das Ilhas Britânicas por diferentes povos com suas distintas tradições linguísticas. O Inglês de fato, como língua nacional e oficial, apresenta pouco menos de meio milênio de vida, um tempo relativamente curto.

Antes do Inglês, a Britânia abrigou diversos outros povos com suas respectivas linguagens, sendo os mais antigos que se pode confirmar a sociedade celta, que mesmo deixando raríssimos registros escritos é a primeira língua indo-europeia usada em território inglês que se tem ciência.


Já no período correspondente ao apogeu do Império Romano, tem-se a inserção do latim na então província Britânica. Este domínio durou aproximados 400 anos, porém não foi forte o suficiente para impor a língua latina sobre a celta. O Latim conseguiu generalizar-se, mas em grande parte restringiu-se a grupos sociais mais cultos. Entretanto, o domínio dos romanos deixou na Grã-Bretanha reminiscências latinas, o grande exemplo disso são as chamadas palavras cognatas, as quais possuem origem comum e grafia semelhante.
- exemplo: combat (catalão); combate (espanhol/português); combat (francês); combat (inglês).

Nos séculos V e VI, diante do enfraquecimento romano, os jutos e anglo-saxões, povos germânicos oriundos do norte europeu, invadiram a Inglaterra em períodos instáveis, gerando ciclos migratórios. Estes ocuparam principalmente o litoral, onde em pouco tempo começaram introduzir mudanças linguísticas. Poucos anos após as primeiras ondas migratórias inicia-se o processo de conversão dos “invasores” ao cristianismo (importância de Santo Agostinho que chega à Britânia em 597), e fixação destes a terra numa cultura tipicamente agrária, sendo considerados os verdadeiros fundadores da Inglaterra.


Já entre os séculos VIII e XI, tem-se início as chamadas invasões vikings, nas quais dialetos específicos dos povos escandinavos são inseridos à língua anglo-saxã já dominante. Neste período destaca-se a importância dos piratas advindos da atual Dinamarca que desde 835 a 1013, influenciaram especialmente os linguajares do norte e da parte oriental da ilha.

No ano de 1066 ocorre a célebre Conquista Normanda, protagonizada pelo duque Guilherme I, que após conquistar o reino anglo-saxão instaura uma nova dinastia. A conquista normanda trouxe novamente outras mudanças no idioma, já que por 200 anos o Francês normando foi utilizado como língua da nobreza, do clero e dos tribunais, ou seja, das classes dominantes. Os contatos realizados sob o idioma franco-normando apresentaram uma importância formidável no que se refere à predominância do vocabulário latino sobre o anglo-saxão no período romano.

O Inglês dos séculos seguintes (XII, XIII e XIV) fragmentava-se em vários dialetos, cada um tendo literatura própria propendendo um pequeno círculo de leitores. Dentre esses dialetos, batizados de OLD ENGLISH (inglês antigo), destacavam-se o Northumbrian, o Mercian, (ambos ao norte do rio Tâmisa, em região ocupada pelos anglos), o West Saxon (a sudoeste da ilha) e o Kentish (a sudeste).

O dialeto correspondente ao Mercian ficou marcado por sua utilização nos grandes centros intelectuais da época, a destacar Londres, Oxford e Cambridge, sendo o mais frugal em termos gramaticais e certamente o mais adequado para a literatura. Nas mãos de Chaucer (cronologicamente a primeira grande figura da literatura inglesa), adquiriu a dignidade de língua nacional e viria a ser fonte do inglês moderno. Contudo, o dialeto West Saxon (saxão ocidental) foi o mais importante de todos, devido ao rei Alfredo que o transformou na língua “polida” dominante até o século XII. Como consequência da sua grande preocupação em educar o povo, promoveu a tradução de textos latinos, sagrados e profanos, ao mesmo tempo que provia a criação de escolas e organização da historiografia do reino (PIRES, 2002).

Guilherme I, da Inglaterra
Embora o poder político/militar estivesse sob domínio normando o idioma francês nunca conseguiu se afirmar além das classes dominantes, enquanto isso o povo permanecia com sua tradição linguística anglo-saxônica e atribuindo a ela um caráter coesivo entre todo o território inglês.

Por fim, o francês foi sendo exumado do território inglês, em especial na chamada Guerra dos Cem Anos (1337-1453), na qual França e Inglaterra protagonizaram uma das maiores rixas do período medieval. Conclui a qual, já em 1362, o discurso de abertura do Parlamento é proferido em Inglês.

Em suma, costuma-se separar a história de tal língua em quatro períodos, que vão desde idioma anglo-saxão ao inglês moderno. São estes: 
- OLD ENGLISH ou ANGLO-SAXON (de 450 a 1066); 
- EARLY ENGLISH ou SEMI-SAXON (de 1066 a 1250); 
- MIDDLE ENGLISH (de 1250 a 1500); e 
- MODERN ENGLISH do século XVI aos dias atuais.

Desde então, o inglês se consolida como idioma oficial da Inglaterra, e que alguns séculos depois tornar-se-ia a língua mais falada em todo o globo, através dos fenômenos imperialistas modernos e contemporâneos, nos quais a Inglaterra teve aguda participação. Com as telecomunicações, desenvolvimento da alta-tecnologia e das transações econômicas a nível mundial, o inglês passou a ser difundido cada vez mais, chegando aos dias de hoje como o idioma da chamada ''Globalização''.

Autor:  Áviner Reis, Taberna Do Fauno

Referência:
A língua inglesa: uma referência na sociedade da globalização - Eliane Cristine Raab Pires

Um comentário:

  1. Esta história de línguas é muito complexa. Um amigo me disse que a hegemonia do inglês se deve ao império americano. Esta expressão eu ouvia muito quando menino inclusive de outro império, o soviético. A falada guerra fria jogou muita coisa nos meus ouvidos: "inglês é para os americanos, soviéticos falam russo!.". Deus que sempre me abençoou me fez um menino desconfiado e hoje um velhão arisco. Pois é, eu acabo de dar um curto giro pelo centro da cidade russa de Novokuzneck. E um detalhe me chamou a atenção bem no centrão da cidade. Num prédio cheio de outdoors em russo tem no meio deles um enorme onde está escrito "united colors of benetton". E não parou por aí, bem na porta do prédio tem um lada escrito no vidro traseiro "my life my rules."...:)

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