sábado, 25 de julho de 2015

A Cavalaria Númida


Oriundos da Numídia, região localizada ao norte da África (atual região da Argélia), os cavaleiros númidas formaram uma das mais importantes tropas da Antiguidade Clássica, ficando famosos após serem empregados por Aníbal, nas guerras contra o império romano. Durante o episódio conhecido como a Segunda Guerra, Aníbal conseguiu causar grandes baixas entre os romanos, graças à contribuição dos númidas, que desde então não foram mais esquecidos pela historiografia. Conforme relatado pelo historiador romano, Tito Lívio, tais cavaleiros, eram de modo geral, os melhores da África naqueles tempos e caracterizavam-se pela velocidade de seus ataques, pois eram leves, utilizando poucos equipamentos.

O nome Numídia, vem do latim e significa "terra dos nômades". Como a maioria dos demais povos nômades, os númidas dependiam muito do cavalo, que era seu único meu de transporte.

Famosos por seu ataque ligeiro e efetivo, os númidas utilizavam como montaria uma espécie de cavalo descendente do cavalo árabe, os quais eram menores e mais leves que os cavalos usados pelos romanos, o que conferia a eles uma vantagem no quesito velocidade (alguns estudiosos sugerem que a espécie de equino usada pelos númidas era o Berbere). Para aumentar ainda mais a efetividade dos ataques os cavalos não eram selados e não usavam qualquer tipo de proteção, diminuindo assim o peso carregado por eles. Além disso, os cavaleiros seguravam os cavalos pela crina e não utilizavam freio. Usavam apenas uma vara fina para açoitar o cavalo.

O armamento e as vestes dos guerreiros númidas eram também bem simples e leves. As principais armas eram lanças, espadas curtas e dardos, além de escudos de madeira, podendo esses ter um revestimento de couro. As armaduras eram na maioria das vezes feitas de couro curtido, muitos sequer usavam armaduras. Quando estavam a pé seus ataques eram feitos por armas de longa distância como arcos, dardos e fundas.


Graças à perícia e agilidade eram excelentes para ataques rápidos seguidos de uma recuada dispersiva, uma tática eficaz para evitar o contra-ataque inimigo. Eram ótimos em desmantelar a formação adversária facilitando assim o ataque da cavalaria pesada e da infantaria. Na investida de Aníbal, durante a Segunda Guerra Púnica, além do conhecido uso de lentos elefantes de guerra, foi também empregada a cavalaria númida cujo  movimento veloz era necessário a fim de atrair os romanos para uma armadilha na conhecida Batalha de Trebia.

A cavalaria númida ficou grandemente conhecida e não foi uma exclusividade das tropas cartaginesas, sendo utilizada em diversos exércitos da época. Os próprio romanos reconheceram a eficácia da cavalaria númida e a empregaram o próprio Aníbal na batalha de Zama. Nos anos posteriores às Guerras Púnicas, os númidas batalharam foram anexados ao exército romano em unidades individuais de cavalaria ligeira.

No entanto, alguns historiadores apontam que quando empregados como mercenários ou aliados, os cavaleiros da Numídia eram pouco confiáveis, podendo abandonar a batalha ou mudar de lado conforme as circunstâncias. Inclusive, na batalha de Zama, em 202 a.C., quando a cavalaria númida, aliada dos cartagineses nas campanhas anteriores, bateu-se ao lado dos romanos.

Vale ressaltar que havia também uma cavalaria pesada formada por guerreiros númidas, contudo seus números eram pouco expressivos e sua eficácia em batalha não se comparava à cavalaria leve. 

Feitos Notáveis da Cavalaria Númida:

Primeira Guerra Púnica:

- Os númidas lutam ao lado de Cartago. Presentes em 216 a.C. na batalha de Canas

Segunda Guerra Púnica:
- 214 a.C. O grande general romano Scipio Africanus, convence Syphax rei da tribo Masaesyles a retirar seu apoio a Cartago. Syphax retorna com os númidas, deixando os cartagineses na Espanha. Os cartagineses sabendo da traição incentivam o rei de Gaia, da tribo Massyles e rival dos númidas, a atacar Syphax. 

- 212 a.C. Syphax retorna a Cartago. O filho do rei de Gaia, Masinissa, chega à Espanha com um contingente de cavaleiros númidas. 

- 206 a.C Masinissa (então rei) forma uma aliança com os romanos emprestando suas tropas númidas a ele. 

- 202 a.C Masinissa fornece aos romanos uma cavalaria númida com cerca de 4.000 membros e  uma infantaria leve de quase 6.000 homens que foram decisivas na batalha de Zama.


Terceira Guerra Púnica:
- 6000 númidas ao lado de Cartago. Masinissa se une com Roma novamente.

- 58 a.C. - Invasão da Gália por Júlio César:
César comandou uma tropa de arqueiros númidas, muitas vezes lutando ao lado de cretenses o que conferiu a eles a reputação de melhores arqueiros do mundo.

- 17-24 d.C. - Revolta Tacfarinas:
Tacfarinas foi o líder de uma tribo de nômades berbere, os Musulamii. Eles viviam ao sul das províncias romanas da então Numídia e da Mauritânia de César. Os númidas unem-se à revolta dos Musulamii contra Roma. Como um ex-membro do exército romano, Tacfarinas foi capaz de aplicar o estilo romano de guerra organizada em seu exército. Este foi muito útil nas batalhas contra os romanos, mas os rebeldes tiveram mais sucesso com a guerra de guerrilha. A reação romana foi a construção fortalezas espalhadas por toda a província  para melhor combater os rebeldes. 

- 24 d.C. - Tacfarinas encontrou sua fortaleza rebelde cercada por romanos e seus aliados mauritanos. Ao ver a traição ele cometeu suicídio, e pós fim às hostilidades.

- 101-105 d.C. - Guerra contra os dácios
A cavalaria Númida foi utilizada na luta contra os dácios como descrito na Coluna de Trajano.


Autor: Áviner Reis, Taberna Do Fauno

Bibliografia Consultada:

Um comentário:

  1. Muito interessante, to até interessado em saber mais sobre essa cultura. Será que você pode fazer outro artigo sobre os Númidas, mas focando em diversos pontos de sua cultura, como funciona a sociedade deles, seus costumes, sua religião e mitologia, etc?

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