quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Fantasia Sombria (Dark Fantasy)


Não é novidade alguma para nós leitores quando ouvimos algo relacionado ao gênero "Fantasia", tendo em vista o "boom" que tal estilo tem vivido no mundo literário nos dias de hoje. Este gênero muito difundido por Tolkien, em seus clássicos romances sobre o "Um Anel", vem ganhando cada vez mais prestígio entre leitores do mundo inteiro e traz a reboque obras artísticas, cinematográficas e mais recentemente os jogos de videogame. Dentro da Fantasia existe uma subdivisão de vários outros pequenos gêneros, dentre eles tem-se a Fantasia Negra ou Sombria (Dark Fantasy) que é marcada pela forte influência do Horror e da literatura gótica.

Devido à grande influência de Tolkien (O Senhor dos Anéis), Lewis (As Crônicas de Nárnia) e mais recentemente de Martin (As Crônicas de Gelo e Fogo), acostumamo-nos com a fantasia em seu estilo medievalista, o que poderíamos enquadrar no estilo “Fantasia Medieval”. Portanto, o estilo Dark Fantasy é em 90% dos casos medievalista devido à suas origens na literatura gótica, embora nem sempre seja ambientado em mundos medievais ele sempre terá alguma ligação com o medievo.

A cultura gótica aparece na Europa por volta do século XII, mais precisamente entre os anos de 1100 e 1500, marcando a arquitetura e as artes das cidades medievais. O termo gótico não tem nada a ver com os godos, povo bárbaro que dominou os primeiros séculos após a queda do Império Romano do Ocidente, mas trata-se de uma adaptação preconceituosa realizada pelos renascentistas do século XVII para designar aquilo que é de mau gosto, “bárbaro” e atrasado, que vai em contrapartida à cultura Clássica Greco-romana.

Catedral de Chartres e sua arquitetura gótica
O gótico, originalmente, foi um costume essencialmente francês que atravessou o território da França, penetrando a Alemanha onde, igualmente, deparamo-nos com belos exemplos dele. Sua arte ficou marcada pelas catedrais magníficas que construiu, com suas torres altas, gárgulas e aparência fúnebre. Todavia, não chegou com tanta força à Itália, que ainda mantinha sua tradição clássica.

Mas não cabe a nós discutir o estilo arquitetônico gótico, mas sua influência na literatura. Com o fim da Idade Média e a chegada da modernidade, mundo medievo sofreu grande preconceito e ficou conhecido pela célebre expressão “Idade das Trevas” que por sua vez é de suma importância para a literatura gótica.

Após ser rechaçada pelos renascentistas e iluministas modernos, a cultura medieval como um todo recebeu também seu renascimento com os romantistas dos séculos XVIII e XIX. Um novo estilo literário surgiu, o Romantismo e, junto a ele, redescobriu-se a cultura gótica que tornou-se também uma forma de literatura.

Capas do livro "The Castle of Otranto" de Horace Walpole
O primeiro romance gótico advém da Inglaterra, com a obra “O Castelo de Otranto” (1764), de Horace Walpole. Esse romance marcado pela atmosfera medievalista (castelos, ruínas, igrejas), personagens inspirados na sociedade medieval (Cavaleiros, camponeses, padres, donzelas) e simbolismos típicos do misticismo medievo (maldições, velhos manuscritos, segredos). Além disso, outras obras trouxeram a fantasia inerente à cultura medieval, nas quais criaturas sobrenaturais tornam-se mais frequentes. A título de exemplo destacam-se fantasmas, bruxas, a prática da magia negra, demônios, entre muitos outros.

A partir dessa união, entre fantasia e literatura gótica, temos a consolidação do estilo gótico e início do que futuramente seria conhecido como Fantasia Sombria. Apenas um elemento falta nessa mistura: o horror. O horror surge com a exploração do medo, com a atmosfera tenebrosa criada ao redor das figuras da literatura gótica. Nesse cenário, avulta-se as obras de Ann Radcliffe (A Sicilian Romance, The Romance of the Forest e Les Mystères d'Udolphe), Bram Stoker (Drácula), H.P. Lovecraft, entre outros.


Afinal de contas, no que constitui a Dark Fantasy? Agora temos todos os ingredientes para formular uma possível definição para tal subgênero. Primeiramente devemos enfatizar o caráter fantástico do mesmo, onde eventos sobrenaturais são constantemente presentes; logo não há Dark Fantasy sem a presença de monstros, magia, espíritos demônios e toda a parafernália mística oriunda do imaginário humano. Depois disso, precisamos encaixar a grande influência da literatura gótica e seus elementos medievais, essencialmente nos cenários, recheados de castelos, masmorras, cavernas, florestas, etc. Ao lado da ambientação tipicamente medieval, precisamos do elemento “Dark”, do sombrio, do lado negro, o que nos traz a atmosfera sombria das obras consideradas Dark Fantasy. Por fim, para finalizar tal gênero temos o Horror que é marcado pela exploração do medo humano pelo desconhecido, pelo sobrenatural e, principalmente, pela morte.

Enfim, Fantasia Sombria é a mistura de tudo o que foi supracitado, isto é, ambientação gótico/medieval, atmosfera sombria, com presença de seres e eventos sobrenaturais e a recorrente exploração do horror. Sendo assim, a Fantasia Negra é uma expressão atual para um gênero que de certa forma já existe desde os tempos medievais.



Uma das maiores e melhores adaptações desse gênero nos dias de hoje está em jogos como a série Dark Souls, onde diversos elementos sombrios esbarram com um universo medieval. Além dessa incrível série de jogos, temos também o game Amnésia, no qual o jogador controla o protagonista Daniel, que passa por situações horríveis dentro de um castelo habitado por monstros e criaturas malignas.

No que se refere às produções cinematográficas baseadas (ou que podem ser classificadas como) em Fantasia Sombria, está Black Death (2010), O Labirinto do Fauno (2006), Solomon Kane (2009), Sleepy Hollow (1999), entre vários outros.



Autor: Áviner Reis, Taberna Do Fauno

3 comentários:

  1. Ótimo texto Áviner, parabéns.
    O problema são os erros, geralmente falta de "a" e "o" e pelo desenvolvimento da ideia ter acabado no "meio".

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    1. Olá Luiz, obrigado pelo comentário. Irei fazer as adaptações e correções necessários e tentarei expandir mais o assunto, concluindo melhor. Abraços!

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