sábado, 20 de dezembro de 2014

A História das Constelações


O sistema de constelações é uma das invenções mais antigas da humanidade. Nos primórdios, quando os primeiros membros de nossa espécie ainda não possuíam tecnologias, utilizavam os céus para guiar sua vida. Durante o dia havia o Sol que se “deitava” e se “levantava” durante todo o ano em direções sempre muito próximas, com uma pequena variação anual entre o inverno e o verão. Mas à noite, o Sol dava lugar a uma caixa negra replena de joias brilhantes e os homens tiveram de aproveitar esse belíssimo presente dos deuses para questões práticas e de sobrevivência.  As primeiras civilizações criaram um sistema de mapeamento das estrelas no céu para empregá-lo na navegação, contagem do tempo, na agricultura, localização e acima de tudo na narrações de estórias.

Centenas de mitos, figuras mitológicas e lendas foram contadas e baseadas no movimento dos astros celestes e a eles atribuíram formas para facilitar sua identificação. Todavia, recentemente, esse aspecto pictórico e mitológico das constelações tem perdido sua importância. Mesmo assim, muitos desses mitos e lendas continuam a exercer uma profunda atração sobre nós.

O que é uma Constelação:
Constelação é o nome atribuído a um agrupamento de estrelas. O observador, localizado na Terra, visualiza na esfera celeste zonas de concentração estelar, muito embora nem todas as estrelas de uma constelação estejam, na realidade, próximas umas das outras.

Folclore das Constelações:
No ocidente, o conjunto de constelações que conhecemos advém de figuras reconhecidas e que faziam parte das culturas grega e romana. O poeta Aratus de Solis (315-245 a.C.) legou-nos a mais antiga descrição das primitivas constelações mapeadas pelos gregos. Seu maior obra, um poema intitulado Phaenomena, publicado aproximadamente em 275 a.C., identifica 47 constelações, descrevendo os céus através de uma coletânea de histórias. Tal obra baseou-se em um livro homônimo, escrito pelo astrônomo grego Eudóxio de Cnido (390-340 a.C.), mas que foi perdido. Acredita-se, que Euxódio teria aprendido as constelações entre os sacerdotes egípcios e as introduziu na cultura grega. Essas constelações adotadas pelos egípcios provavelmente foram retiradas dos babilônios que, por sua vez, teriam retirado da cultura suméria que as criaram por volta de 2000 a.C. Entretanto, os gregos adaptaram as constelações aos seus mitos, inserindo nelas outras histórias detalhadas por Eudóxio, e o livro de Aratus sobre as estrelas atingiu ainda mais popularidade. Ulteriormente, no século 2 d.C., houve um acréscimo de um trabalho mais elaborado dos mitos das constelações, o Astronomia Poética, do autor latino, Higino. Desde sua publicação até hoje, esta obra sofreu inúmeras traduções e edições por todo o mundo.



Catalogando a Esfera Celeste:
maior e mais antigo catálogo estelar que sobreviveu ao tempo data do final do século 2 e integra o livro Almagesto, do astrônomo e geógrafo grego Ptolomeu. Nele há o registro das posições e brilhos de mil estrelas, distribuídas por 48 constelações, baseado-se num catálogo anterior escrito por Hiparco de Niceia (190-120 a.C.). Já no século 10 d.C., o Almagesto recebeu uma atualização do astrônomo árabe al-Sufi e o intitulou Livro das Estrelas Fixas, no qual incluiu nomes árabes para várias estrelas. Esses nomes ainda são utilizados, embora muitas vezes de forma corrompida.

Não se introduziram novas constelações ao catálogo de Ptolomeu até o fim do século XVI, quando exploradores da holanda navegaram o Oceano Índico rumo as Índias Orientais. Lá, dois navegadores, Pieter Dirkszoon Keyser e Frederick de Houtman, puderam observar o céu do hemisfério sul, que na Europa, ficava abaixo horizonte. Cerca de 200 estrelas novas foram catalogadas por ambos, com as quais o seu mentor, o célebre geógrafo Petrus Plancius, criou 12 novas constelações. Petrus após conceber novas constelações boreais, inseriu-as entre as ptolomaicas. Cerca de cem anos depois,  o astrônomo polonês Johannes Hevelius preencheu as últimas lacunas restantes do céu boreal, e, em meados do século XVIII, o astrônomo francês Nicolas Louis de Lacaille introduziu quatorze novas constelações austrais.

Carta Celeste de John Flamsteed (1729)

Atlas e Cartas Celestes:
primeira carta celeste imprensa data de 1515 e foi produzida por Albrecht Dürer, um grande artista alemão. Como num globo celeste, a carta de Dürer apresenta as constelações invertidas, demonstrando o céu como seria visto por um observador imaginário localizado fora da esfera celeste. Porém, seguidamente, as cartas foram reelaboradas de uma maneira que permitia comparações diretas com o céu. Dentre os primeiros atlas celestes, o mais elaborado foi o Uranometria, do astrônomo alemão Johann Bayer, de 1603. Tal atlas é considerado um dos mais belos exemplos da arte cartográfica celestial já elaborados.

Logo após a publicação do Uranometria, a ciência astronômica sofreu profundas modificações com a invenção do telescópio. O primeiro grande catálogo e atlas estrelar da nova era da astronomia foi produzido pelo primeiro astrônomo real da Inglaterra, John Flamsteed (1646-1719). O Atlas Coelestis, como foi intitulado, mostra as constelações descritas por Ptolomeu, visíveis de Greenwich, na Inglaterra, baseadas nas observações do próprio John. Em 1801 o astrônomo alemão Johann Bode, atingiu o ápice do mapeamento celeste até então, publicado na obra Uranographia, cobrindo todo o céu, com mais de 100 constelações, algumas criadas pelo próprio Johann. 

Finalmente, em 1922, a IAU (União Astronômica Internacional), construiu, através de um acordo consensual entre toda comunidade astronômica, uma lista de 88 constelações, com limites definidos entre elas. Nas cartas celestes modernas há poucos vestígios das cartas pictóricas tradicionais, isto é, poucas linhas unindo as principais estrelas, sugerindo a forma geral de cada constelação.

Abaixo, algumas imagens do Atlas Coelestis de John Flamsteed.


Autor: Áviner Reis, Taberna Do Fauno

Bibliografia:
Enciclopédia Ilustrada do Universo - Livro 4 Constelações - Martin Rees, Ed. Duetto.
Manual Compacto de Geografia Geral - Teoria e Prática - Carlos Alberto Schneeberger e Luiz Antonio Farago, Ed. Rideel

2 comentários:

  1. Quando eu era criança meu sonho era ter esses mapas, acho que vou imprimir e realizar um sonho de infância!!

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  2. Muito bom conteúdo de orientação introdutória ao estudo das constelações

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