terça-feira, 4 de novembro de 2014

Os misteriosos Peixe-bispo e Monge-do-mar


Criaturas místicas sempre estiveram presentes na história da humanidade desde os primórdios e povoam nosso imaginário até hoje. Em geral, os locais preferidos por esses animais lendários eram aqueles onde o homem jamais chegou ou poucos haviam explorado, certamente pela dificuldade de comprovação da existência dos mesmos, o que contribuía para a manutenção de seus mitos.

Dentre os locais mais ameaçadores do globo, estava e ainda está o oceano. Se com a tecnologia atual, o homem ainda não foi capaz de explorar as zonas mais profundas dos oceanos, o que diriam os homens de tempos anteriores? Naturalmente os oceanos tornaram-se um lugar propício à proliferação desses monstros, embora algumas dessas criaturas sejam animais reais que poucos tiveram a oportunidade de conhecer, outros são apenas produtos da fértil imaginação humana.

Gravuras do século XVI mostrando um peixe bispo

Um desses monstros marinhos que está cercado de muitos mistérios é o denominado “Bispo-do-mar” ou “Peixe-bispo”. Tal criatura é descrita em documentos antigos como um ser meio homem e meio peixe, semelhante às sereias. Nesses relatos, sua cabeça era replena de escamas que formavam uma espécie de mitra, enquanto suas nadadeiras imitavam a forma de uma batina, semelhante às vestes eclesiásticas. Algumas testemunhas oculares, inclusive, relataram que encontraram bispos-do-mar empunhando pedaços de pau (uma alusão aos cajados usados pelos bispos em algumas cerimônias).

Mitra

O caso mais famoso ocorreu em 1433, quando um peixe-bispo foi capturado por pescadores no Mar Báltico e depois levado para a corte do rei da Polônia. Após ser apresentada ao rei, a criatura fez um gesto que indicava seu desejo de voltar ao mar, porém o rei quis mantê-lo consigo. Foi então que o monarca decidiu apresenta-lo aos bispos da região e mais uma vez, diante destes, ele suplicou para retornar ao seu mundo marinho. Pressionado pelos bispos, o rei cedeu ao pedido da estranha criatura. Ao ser levado para o oceano, o bispo-do-mar agradeceu e fez o sinal da cruz, desparecendo nas águas em seguida. 

Além dos relatos orais, o peixe-bispo foi descrito, século XVI, pelo naturalistas Belon, Gesner e Rondelet, e o médico Ambroise Paré. No livro Historia Animalium, o autor Conrad Gesner, conta que outro peixe-bispo foi encontrado ao largo da costa alemã, mas ele se recusou a comer em cativeiro e morreu em poucos dias.


Conforme as lendas da época, os bispos-do-mar, assim como os bispos humanos, efetuavam funções eclesiásticas entre as populações de criaturas marinhas como as sereias e os tritões. Além do peixe-bispo, outra criatura marinha de aspecto antropomórfico, relatada por Conrad Gesner no quarto volume de Historia Animalium, foi o peixe-monge.

Também conhecido como monge-do-mar, esta outra criatura foi encontrada na costa leste da ilha dinamarquesa, Zealand, por voltado ano de 1546. Foi descrito como um peixe superficialmente semelhante a um homem trajando o típico hábito de um monge.


O peixe-monge foi posteriormente popularizado por Guillaume du Bartas's no seguinte poema:

"Seas have (as well as skies) Sun, Moon, and Stars;
(As well as ayre) Swallows, and Rooks, and Stares;
(As well as earth) Vines, Roses, Nettles, Millions,
Pinks, Gilliflowers, Mushrooms, and many millions
of other Plants lants (more rare and strange than these)
As very fishes living in the Seas.
And also Rams, Calfs, Horses, Hares, and Hogs,
Wolves, Lions, Urchins, Elephants and Dogs,
Yea, Men and Mayds; and (which I more admire)
The mytred Bishop and the cowled Fryer;
Whereof, examples, (but a few years since)
Were shew'n the Norways, and Polonian Prince."


Para a maioria dos pesquisadores, tais criaturas são interpretações deficientes de animais marinhos reais, tais como o tubarão-anjo (Squatina squatina).

Tubarão-anjo

Autor: Áviner Reis, Taberna Do Fauno

Referenciais:
Historia Animalium - Conrad Gesner
Poisson évêque - Ar Soner (Encyclopédie du Paranormal)

Nenhum comentário:

Postar um comentário