sábado, 8 de novembro de 2014

A Lenda de Baba Yaga


1 - Introdução:
Baba Yaga, é uma personagem do folclore da Rússia e do Leste Europeu. É descrita como uma mulher muito velha, de aparência horrenda e corpo ossudo, que vaga pelos ares montada em um almofariz. Seus rastros nunca são vistos, pois ela os apaga com uma vassoura. Habita uma velha cabana de madeira que se locomove sobre duas patas de galinha e cuja fechadura é uma boca cheia de dentes.

Na versão original da lenda, é concebida como uma entidade profícua, ajudando os puros de coração e devorando os impuros. Mas ao longo do tempo foram atribuindo-lho um caráter assombroso e passaram a associa-la como um ser perverso.

2 – O Conto:

Em algum lugar distante, longe de qualquer cidade, não sei te dizer exatamente onde, mas certamente na vastidão das antigas florestas da Rússia, vivia um camponês com sua esposa e seus gêmeos – um menino e uma menina. Certo dia, sua mulher adoeceu e a enfermidade a levou para sempre. O homem lamentou sua morte por vários anos, mas sua casa não era a mesma sem uma mulher. Não havia organização e ordem. Tudo parecia estranho sem a delicada presença de sua esposa e um dia, sentindo-se muito infeliz, ele pensou: "Talvez tudo volte ao normal se eu me casar novamente. Talvez essa casa seja mais alegre novamente!". E assim ele o fez:  casou-se novamente depois de muitos anos.

Seus gêmeos já estavam crescidos; possuíam entre 10 e 13 anos, mas a casa era pequena demais para aquela família, pois a segunda mulher do camponês também teve filhos. Contudo, mesmo diante das dificuldades de se viver naquela região esquecida pelo mundo, o camponês amava muito seus filhos, especialmente os gêmeos que o lembravam a sua falecida esposa. Por conta disso, a madrasta invejava muito os enteados e começou a tratá-los mal. Ela os repreendia sem qualquer razão, xingava-os e os deixava sem comer quando podia. Inclusive, tentou várias vezes tirá-los de casa, dizendo que não eram amados ali, mas eles não acreditavam em suas mentiras. Uma das práticas utilizadas por ela para que um dia eles fossem embora, era dar-lhes o mínimo possível de comida quando o homem estava fora a trabalhar. Contudo, eles resistiram à fome e aos maus tratos, permanecendo na casa. A inveja da madrasta, contudo, só aumentava ao ver o marido chegar com um sorriso no rosto e abraçar os seus primogênitos. Assim, seu ódio foi ficando mais forte e resolveu se livrar deles de uma vez por todas. 

Você sabe o que acontece quando se permite que um pensamento perverso entre em seu coração? O pensamento perverso cresce o tempo todo como uma planta venenosa e mata lentamente os bons pensamentos. 

Um sentimento cruel foi desenvolvendo-se no coração da madrasta e chegou ao ponto de ela desejar a morte das crianças da ex esposa de seu marido. Ela então, decidiu enviar os enteados para uma terrível bruxa que vivia na floresta não muito distante dali, ponderando que nunca mais voltariam.

"Queridos filhos", disse ela aos órfãos, "Seu pai gostaria que fossem fazer uma visita à tia avó que vive na floresta. Sua cabana possui inconfundíveis pés de galinha. Se vocês chegarem lá e fizerem tudo o que ela pedir, serão retribuídos com muitos doces".



Os órfãos que passavam por maus bocados nas mãos da madrasta não pensaram muito e logo partiram. Finalmente encontrariam um lugar onde pudesse comer decentemente! Mas a sagacidade da garota era maior do que a da madrasta. "Como nossa madrasta quer nos mandar para um lugar que será bom para nós se ela nos odeia?", pensou a irmã. Ao invés de ir à bruxa, a brilhante irmã, convenceu seu irmão a irem, primeiramente, à casa de uma outra tia avó que eles já conheciam e tinha a fama de ser uma boa senhora. Pegou seu irmão pela mão e correu para a casa da velha e disse-lhe tudo sobre a estratégia da madrasta.

"Oh, meus pobres queridos!", disse a boa velha avó, lamentando o destino das crianças, "Meu coração dói por vocês, mas não há nada a meu alcance que possa fazer para ajudá-los... Mas saibam que ela não está os enviando para uma avó acolhedora e boa, e sim para uma bruxa má, conhecida como Baba Yaga. Agora me escute, meus queridos", continuou ela, "Eu vou dar-lhes uma dica: Sejam gentis e bons para todas as pessoas! Não falem coisas ruins a qualquer um; não desprezem e neguem ajuda aos mais fracos, e sempre saiba que vocês, também, poderão um dia necessitar de ajuda".

A boa velha avó deu às crianças um delicioso frasco com leite fresco para beber durante o caminho e uma grande fatia de presunto para cada. Ela também lhes deu alguns biscoitos.

Os filhos obedeceram às ordens da madrasta, mas levaram a dica da idosa na mente e assim partiram para a floresta e para sua surpresa encontraram a tal cabana sobre dois pequenos pés de galinha e no topo do telhado, próxima à chaminé havia uma cabeça de galo. Com a suas estridentes vozes infantis, chamaram em voz alta: "Izboushka, Izboushka, volte suas costas para a floresta e sua frente para nós!".


A cabana então atendeu ao chamado das crianças e se virou de frente para as mesmas. Os dois órfãos olharam dentro do recinto e viram a bruxa descansando com a cabeça perto da parede dos fundos, com um pé em um canto, o outro pé noutro canto, e seus joelhos muito próximos do teto.

"Fou, Fou, Fou!" exclamou a bruxa; "Eu sinto o espírito russo".

As crianças sentiram um grande medo da bruxa, principalmente por sua aparência apavorante. Elas ficaram de mãos dadas e juntaram os ombros num sinal de temor, quase se abraçaram e puseram-se a chorar, mas, apesar de todo o pavor, elas mantiveram um mínimo de coragem e disseram muito educadamente:

"Oh, avó, a nossa madrasta nos enviou a ti para te servir."

"Tudo bem! Não me oponho a mantê-las aqui, crianças. Se vocês satisfizerem todos os meus desejos, retribuir-lhes-ei, mas se me desobedecerem, comê-las-ei!". Sem qualquer atraso a bruxa mandou a menina para a roda de fiar e ordenou ao menino, que buscasse água em uma peneira para encher uma grande banheira.

pobre menina órfã chorou ao sentar na sua roda de fiar e enxugou as lágrimas na saia do vestido. Naquele instante em que chorava, sugiram ao seu redor uma dúzia de ratinhos guinchando e dizendo: "Doce menina, não chore. Dá-nos estes biscoitos e nós te ajudaremos".

A menina de bom grado entregou os biscoitos aos ratos. "Agora", com gratidão rangeram os camundongos, "agora vá encontrar o gato preto que está faminto. Entregue a ele uma fatia de presunto e ele te ajudará".

A menina rapidamente foi em busca do gato e viu seu irmão em uma angustiosa tarefa: pegava água com a peneira e corria para a banheira, mas a água vazava antes que pudesse chegar ao recipiente que permanecia completamente seco.

Os passarinhos que sobrevoavam o local, passaram voando por perto e cantarolaram aos filhos do camponês: "Filhinhos de bom coração, dá-nos algumas migalhas e nós vamos orientá-los." Os órfãos deram aos pássaros algumas migalhas de biscoito e estes agradecidos piaram conjuntamente novamente: "Utilizem argila e água, crianças queridas!". Então longe voaram pelo ar.


As crianças entenderam a dica, preencheram a peneira com argila, tapando os furos e logo encheram a banheira. Em seguida, os dois retornaram para a cabana e, na soleira, encontraram o gato preto. Eles generosamente deram-lhe um bom pedaço do presunto que a boa avó lhes havia dado. Alentando o bichano, perguntaram: "Querido gatinho, preto e bonito, diga-nos o que fazer, a fim de fugir da tua dona bruxa?"

"Bem", respondeu muito a sério o gato, "Eu vou dar-lhes uma toalha e um pente, em seguida, vocês devem fugir para bem longe. A bruxa certamente virá procurá-los, e se os encontrar, devorar-los-á! Desta forma, amarrem a toalha nas costas, como uma capa e, quando ouvirem a bruxa correndo atrás de vocês, deixem cair a toalha de suas costas e um rio grande aparecerá no lugar da toalha e ela não conseguirá cruzá-lo, pois bruxas não podem passar pela água corrente! Mas se ouvirem-na mais uma vez, joguem para baixo o pente e no lugar dele surgirá uma grande árvore negra. Neste tronco vocês se esconderão e ficarão protegidos da bruxa má, minha senhora".

Baba Yaga chegou a casa naquele momento: "Não é maravilhoso?" ela pensou; "Tudo deu exatamente certo!".

"Bem!", ela disse para as crianças, "Hoje vocês foram corajosos e inteligentes e conseguiram terminar os trabalhos. Vamos ver amanhã, pois o trabalho será mais difícil e eu espero que possa comê-los".


Os pobres órfãos foram para a cama indicada pela bruxa, não era uma cama quente preparada por mãos amorosas, mas apenas de madeira e palha, encostada em um canto frio da casa. Deitaram-se morrendo de medo, com medo de falar, medo até de respirar e adormeceram. Tiveram terríveis pesadelos em que a bruxa os cozinhava em um enorme caldeirão, mas felizmente (ou infelizmente) acordaram e viram que era tudo um sonho.

Na manhã seguinte, a bruxa ordenou que todo o fio da roda fosse convertido em tecido pela garota e que o garoto fosse buscar um enorme feixe de lenha da floresta. As crianças tomaram a toalha e o pente do gato preto e fugiram o mais rápido que seus pés permitiram.

Para o azar dos gêmeos, a bruxa possuía cães do lado de fora da cabana e estes partiram atrás deles, latindo e rosnando, os cães os encalçaram floresta a dentro, mas eles se lembraram dos últimos biscoitos que guardavam em seus bolsos e os atiraram. Os cães distraíram-se com a comida e pararam de perseguir. Mas ainda haviam os portões que cercavam a casa da bruxa, os portões eram velhos e duros. As crianças pegaram um pouco de olho de uma grande bétula e colocaram nas fechaduras e dobradiças dos portões que rapidamente se abriram. Para a bétula, deixaram uma bela fita vermelha amarrada em um de seus galhos. Assim que saíram do terreiro da bruxa, correram o mais rápido e mais longe que puderam. Foi então que chegaram nos limites da floresta escura e depararam-se com belos campos ensolarados.

Enquanto isso, na casa da bruxa, o gato sentou-se no tear, arrancou o fio e o fez em pedaços com prazer. Baba Yaga, ao retornar, viu a casa vazia e o gato a estragar o longo rolo de fio, "Onde estão as crianças?", gritou ela furiosamente e começou a espancar o pobre gato. "Por que deixou-lhes partir, gato traiçoeiro? Por que não lhes atacou e arranhou-lhes os rostos?".

O gato respondeu: "Bem, foi porque eu te servi tantos anos e tu nunca me deste uma única mordida de sua comida, enquanto os queridos gêmeos me deram alguns bons pedaços de presunto".

A bruxa repreendeu também os cães inúteis, os portões imprestáveis e a bétula perto do caminho. 


"Bem", ladraram os cães, "tu certamente és nossa senhora, mas tu nunca nos fez um favor, mas os órfãos foram gentis conosco e nos deram biscoitos".

Os portões responderam: "Estávamos sempre prontos a obedecer-te, mas tu fizeste-nos descuidar e os queridos gêmeos nos alisaram com óleo um maravilhoso óleo de bétula".

A árvore de vidoeiro balbuciou com suas folhas: "Tu nunca colocou um fio simples sobre os meus ramos e as queridas crianças adornaram-nos com uma fita bonita". 

Baba Yaga percebeu que não podia contar com nenhuma ajuda e como diz o ditado, "Ser quer algo bem feito, faça você mesmo!", e saiu sozinha no encalço dos filhos do camponês. Em sua pressa, ela não notou a ausência de sua toalha e seu pente, montando em uma vassoura e partindo na velocidade do vento em busca das crianças.

As crianças ouviram sua chegada e assim como dissera o gato, jogaram a toalha para trás deles. No mesmo instante, um rio, largo e azul, apareceu e irrigou aqueles belos campos. Baba Yaga percorreu ao longo das margens, até que ela finalmente encontrou um lugar raso e cruzou.

Mais uma vez as crianças ouviram seus saltos por cima do almofariz e assim eles derrubaram o pente. Desta vez o gato estava errado, ao invés de uma grande árvore, uma floresta apareceu! Uma floresta escura e sombria em que as raízes estavam interligadas, os galhos emaranhados e as copas das árvores se abraçavam umas nas outras. A bruxa tentou atravessar a floresta, mas era impossível e todo seu esforço em pegar os gêmeos foi vão. Raivosa e cansada, acabou desistindo e voltou para casa.


Os gêmeos finalmente encontraram a casa de seu pai e, ao chegar lá, encontraram o homem a lamentar o desaparecimento de seus filhos amados. Ao vê-los novamente, o pai deu-lhes um forte abraço e eles lhe disseram tudo sobre o grande perigo que viveram e perguntaram: "Ah, pai querido, por que tu nos ama menos do que os nossos irmãos e irmãs?"

O pai ficou chocado com aquilo e no mesmo instante concluiu que fora tudo uma armação de sua mulher invejosa e má. Ele a expulsou de casa e viveu uma nova vida com seus bons filhos e os gêmeos, amando a todos igualmente.

Quanto à madrasta? Bom, dizem que Baba Yaga a encontrou vagando pela floresta dias depois e... ela deve ter ficado saborosa, não é mesmo?



Now it’s time to run
Time to slam the door
Extinguish all lights
And plug every hole

Her magic emerges from among the trees
Can you feel it! Be careful!
It brings disease!

Bloody witch
She lives there in the mighty forest
Every child, terrified
Knows this darkest story

Come, my child, sit by the fire
I’ll tell you a joke
I will give you chocolate
And even let you smoke

Oh no, don’t touch me!
Now give me your life!
Oh no, please leave me!
Look into my eyes!

Why are you afraid of me?
I will sing you song
Then you go to sleep so sweet
It will not be long

Oh no, where am I?
Stop fucking squirming!
Oh no, I’m terrify
My knife feels like killing!

Bloody witch
She lives there in the mighty forest

Why are you afraid of me?
I will sing you song
Then you go to sleep so sweet
It will not be long

Oh no, don’t touch me!
Stop fucking squirming!
Oh no, please leave me!
My knife feels like killing!




You're wide-awake
Or is it a trick of the light?
You've been nearly there before
But this is the night

Cris of temptation
You're content to lose your way
Jolly, what a jolly piece of folly and no way to defy

You can't wait to see what mortals they dare
Only to speak about in whispers in the dark

You're on the way the anxious have lost
Threatened by their sanity
Reason laughs with vanity

Fiery moon in the sky
You can't wait to face it
You heart is racing

Fiery moon paints the sky
You've entered the realms
You're entered the realms of Baba Yaga
You're entered the realms of Baba Yaga

Razzle-dazzle
Mortar and a pestle
Will you stand the ferocious look?
Deafened by the yelling
From a chicken legged dwelling
Frightening and earthy to those who ain't worthy

They won't stand the madness
And the ambiguity of her mind
Unravel the mystery or you will be history
You will be wined and especially dined

You can't wait to see what mortals they dare
Only to speak about in whispers in the dark

You're on the way the anxious have lost
Threatened by their sanity
Reason laughs with vanity

Fiery moon in the sky
You can't wait to face it
You heart is racing

Fiery moon paints the sky
You've entered the realms
You're entered the realms of Baba Yaga
The realms of Baba Yaga
Baba Yaga tell me
Will I have to dine with you tonight?

(Solo)

What's this about for heaven's sake
You wanna turn but it's too late
Your will is morphing into mania

Hahahahahahaha

This ain't no fantasy no more
Senses your commands ignore
Just like the spirits that you've cited

Baba Yaga
You're entered the realms of Baba Yaga
You're entered the realms of Baba Yaga
You're entered the realms of Baba Yaga oh

Oh Baba Yaga
Oh Baba Yaga
Oh Baba Yaga
Oh Baba Yaga

Autor/Tradução: Áviner Reis, Taberna Do Fauno

Referencial: Michigan State University

7 comentários:

  1. Muito legal!
    Mostra muito da cultura inquisitória nesses contos sobre a "bruxa velha", a visão que nos é dada. Vi a representação dessa "personagem" no jogo Castlevania lord of shadows e fiquei encantada! hahahahaha
    Muito boa a sua postagem, parabéns! Estou a seguir o blog ^^
    Bençãos! )O(

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    1. Olá Stefanie! Agradeço os elogios e por seguir o blog! Vale destacar que esse conto é quase que inédito no Brasil, pesquisei em vários lugares e não encontrei nada em português. De certa forma, foi um "pioneirismo" da Taberna do Fauno trazer essa lenda.

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  2. Bacana. Realmente não conhecia. Parabéns pela postagem. o/

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  3. Nossa, que legal! Nunca imaginei ver um texto sobre ela em português e com detalhes. Parabéns. Imagina só que conheci ela, lendo "Os Livros da Magia" do Neil Gaiman...

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  4. Ótimo texto. Gostei do blog e das temáticas. Alguém recomenda textos bons para abordar na sala de aula?
    Esses dias também li um outro texto sobre Baba Yaga – A Bruxa Russa aqui:
    http://demonstre.com/baba-yaga-a-bruxa-russa/
    Abraços e até ao próximo post!

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  5. Muito legal esse conto, pois eu mesmo não conhecia a estória da Baba Yaga.

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